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                                         A LUZ DA CHAPADA

       Romeu já estava com 50 anos e sua vida estava descendo ladeira abaixo. Morava nunca cidadezinha do interior de Minas Gerais e sua mulher Joana era bordadeira. Tinham 4 filhos para criar e Romeu estava desesperado.

       Romeu fora um homem rico que perdera tudo, pois não soubera administrar suas propriedades. Não era especialista em nada, portanto não sabia o que fazer para conseguir trabalho. Resolveu então se tornar motorista de caminhão, pois era a única coisa que sabia fazer muito bem. Juntou tudo que tinha e com alguma economia de sua mulher Joana, comprou um velho caminhão de carga. 

       Um dia, quando fazia um carreto de minério, seu caminhão que já estava muito velho estragou numa estrada de terra, longe de tudo e de todos. Não havia sequer um barraco na beira da estrada para que pudesse pedir ajuda. Resolveu então dormir dentro do caminhão.

       No outro dia bem cedo, saiu à procura de ajuda e foi caminhando sem destino durante horas e horas. Já estava escurecendo, quando avistou uma pequena luz. Parecia um bar, daqueles de beira de estrada. Animou e caminhou mais depressa. Chegando lá, encontrou algumas pessoas comendo e bebendo . Sentou-se no balcão e pediu uma dose de aguardente para aliviar o cansaço. Triste da vida, desanimado e com os pés ardendo ficou ali durante quase uma hora, pensando na vida. 

       Aproximou-se dele um homem aparentemente com 30 anos, muito magro e pálido, e começou a conversar com ele. Contou muitas histórias bizarras, falou de lugares estranhos por onde passara, e Romeu ficou meio assustado.

       O homem de nome Baltazar começou a falar sobre o futuro de Romeu. Disse coisas horríveis. Disse que Romeu iria padecer de uma doença incurável e que iria sofrer por muitos anos, antes de morrer. Romeu então se apavorou e começou a perguntar quem ele era e o que pretendia com ele.

       Baltazar então levantou a camisa e mostrou o corpo todo recortado por cicatrizes. Ele então contava a história de cada uma delas. Uma facada aqui, uma punhalada ali, e assim foi contando uma a uma as estórias de suas cicatrizes.

       Romeu muito apavorado perguntou então :
       _ Afinal quem é você ?

       Baltazar respondeu :
       _ Eu a sombra do medo que habita sua alma.
Romeu sentiu um calafrio na alma, começou a suar frio e se afastou daquele homem; se benzeu com o sinal da cruz, comprou um pedaço de salame e carne seca, e saiu dali sem destino, sem olhar para trás.

       Era noite e não havia onde dormir. Deitou debaixo de uma árvore , estendeu sua toalha no chão e passou a noite ali. No outro dia quando o sol se abriu, Romeu se levantou e continuou sua caminhada a procura de ajuda. Os dias foram passando e ele foi se perdendo por aquelas estradas desconhecidas. Seu dinheiro acabara , e ele não sabia mais o que fazer. Sua barba estava grande , suas roupas sujas e seus sapatos rasgados.

       Numa noite em que já estava quase perdendo a razão, foi caminhando sem rumo, quando viu à sua frente uma grande bola de luz branca flutuando. Romeu se arrepiou e estremeceu o corpo todo. A bola subiu, pairou no ar por alguns minutos e depois sumiu. Com o choque ele voltou a razão. Saiu do meio da mata e foi para outra estrada.

       Passou um caminhão carregando porcos e ele pediu carona. O motorista parou e aceitou levá-lo até a rodovia, pois lá poderia conseguir ajuda. Romeu então foi pedindo carona, até chegar a sua cidade. 

       Sua filha caçula Aline saiu a porta e avistou ao longe um homem magro, barbudo e com as roupas muito sujas. Gritou sua mãe e disse que tinha um mendigo chegando em sua casa. Assustada a mãe correu para ver.
Com os olhos arregalados a mãe de Aline caiu em prantos ao ver que aquele mendigo sujo, maltrapilho e envelhecido era o seu pobre marido Romeu.

09/11/07 -

Raio de Lua
Enviado por Raio de Lua em 09/11/2007
Alterado em 05/06/2010
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