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O DESTINO DE FLORA

Era uma tarde melancólica. O céu estava amarelo e o sol soltava os últimos raios do dia. Flora estava sentada na varanda vestida de rendas brancas e com um colar de pérolas que ganhara aos 18 anos de seu primeiro namorado. Olhava o horizonte de forma indiferente e alheia, esperando a hora de partir. Segurava na mão tremula uma taça já vazia.

Vieram-lhe à mente as lembranças dos dias tempestuosos de sua vida conturbada. Seus sonhos, suas expectativas e seus amores não tinham mais sentido.

Flora nascera na década de 40 numa cidade do interior do Rio de Janeiro, tinha 38 anos, e estava na flor de sua beleza e vitalidade, porém, sua alma estava envelhecida e torturada pelas decepções da vida.

Ficou órfã aos 10 anos quando seus pais morreram no naufrágio de um navio quando voltavam da Europa. De família abastada ela ficou nas mãos de seu tio Arnaldo, que assumiu a sua guarda na referida época.

Arnaldo a colocou num colégio interno onde nunca voltou para visitá-la, e se apossou de todos os seus bens. Aos 18 anos ela fugiu do colégio com a ajuda de Marcos, seu namorado secreto.

Voltou pra sua casa para recuperar sua vida que havia sido tirada sem o seu consentimento.

Quando voltou para casa e viu que seu tio não a reconhecera, ela se aproveitou da situação e pediu emprego como governanta para conseguir entrar na casa. Ele disse que não precisava de mais empregados, mas ela insistiu muito e acabou conseguindo o emprego.

Um dia seu tio saiu numa noite chuvosa e fria e chegou em casa tremendo e com muita febre. Foi então que Flora percebeu que ele pegara uma pneumonia muito grave. Sabendo que ele tomava vinho toda noite pra se aquecer, ela tratou logo de arranjar a bebida. Ele tomou e sentiu um gosto diferente... Um sabor muito adocicado... Foi então  que ele perguntou de que safra era aquele vinho, e Flora muito solícita explicou que era um vinho feito por sua avó e oferecido quando as pessoas adoeciam. Era feito de uvas muito doces, por isso o sabor diferente.

Seu tio Arnaldo tomou o vinho e dormiu. Dormiu para sempre...

Flora então tomou posse de suas propriedades e começou uma nova vida naquele lugar. Era uma fazenda na beira da estrada principal, onde passava todo o trânsito da região.

Sempre passavam por lá os fazendeiros, vaqueiros e peões levando boiada para outras paragens. Muitas vezes quando Flora se simpatizava com algum deles ela oferecia um chá com bolos e biscoitos. Quando ela gostava da pessoa oferecia um quarto para que pudesse descansar e quando se interessava por um deles, oferecia seu próprio quarto, sua cama e até mesmo seu corpo, pois era uma forma de aliviar a solidão. Embora ela tivesse escolhido viver só por não confiar em ninguém devido ao seu trágico passado, algumas vezes sentia muita angústia...

Assim viveu Flora até os 38 anos de idade. Amou alguns, odiou outros, foi tratada como uma dama por uns, e maltratada como meretriz por outros, e assim foi vivendo a vida até que se cansou.

Foi então que sentou na varanda e tomou sua última taça de vinho tinto, aquele mesmo vinho que oferecera ao seu tio pela última vez ...

Flora então deu uma última olhada no horizonte onde o sol caía vermelho. Em seus olhos a serenidade e o alívio ... A taça caiu de suas mãos e quebrou-se em mil pedaços ... Ela parou de respirar e dormiu para sempre nos braços da tarde.




Raio de Lua
Enviado por Raio de Lua em 20/10/2007
Alterado em 04/06/2010
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