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                                                           AMOR DO PASSADO

          Ajoelhada diante do confessionário da Igreja Matriz da Vila de Santa Rita, eu chorava e rezava pedindo ao Padre que me perdoasse do mais vil de todos os pecados que uma mulher poderia cometer. Entre lágrimas e orações comecei a contar o quanto fui má e leviana quando cheguei naquele lugar há dez anos atrás.

          Eu tinha 18 anos e acabara de entrar para o Convento da Caridade, cumprindo uma promessa feita pela minha avó para salvar-me da morte prematura por ter nascido muito franzina e pálida aos sete meses de gestação numa Vila totalmente afastada de tudo e perdida no mapa.

          Então comecei a narrar ao Padre, os fatos que estavam trancados a sete chaves no meu coração durante tanto tempo:

          _Quando o sol já começava a descer atrás das imensas montanhas que cercavam aquele lugar quase paradisíaco, saí para dar uma volta pelos campos ao redor daquele suntuoso convento. Inusitadamente vi um ser que caminhava calmamente em direção às águas. Olhei discretamente com os olhos entreabertos e cheios de pudores para o lago de águas paradas e vi aquela silhueta contra a luz do sol poente. Uma silhueta que aterrorizou minha inocência.

          Fiquei olhando escondida atrás dos arbustos, imóvel e quase sem respirar. Jamais havia visto um espetáculo como aquele.

          Aquele ser inédito naquelas paragens, era a última coisa que eu esperava ver naquele lugar quase deserto, onde apenas os insetos e os pássaros podiam chegar.

          Vi aquela criatura indo na direção do lago que espelhava o sol avermelhado, prestes a entrar naquelas águas frias e transparentes.
Era a tentação me chamando, eu estava perdida. Ele nem percebeu a minha presença e na margem do lago foi se despindo... Banhou-se, nadou e se entregou a luxúria diante de meus olhos sem saber que eu o observava bem de perto.

          Oh, Padre! Meu corpo queimava ao ver aquela pele suave, não pude evitar aqueles sentimentos luxuriosos e eu questionava a Deus, o que seria de mim após ter visto aquele Adão completamente nu? Eu pedia a Deus para livra-me daqueles pensamentos libidinosos, daqueles sentimentos que me perturbavam e me instigavam tremores profanos, diante daquela criatura que nem sequer sabia o que estava provocando dentro de minha frágil pessoa. Mas, era inútil, Deus não me ouvia naquela hora.

          Ah, foi horripilante! Eu entrei em pecado mortal naquele instante. Quanta blasfêmia eu pude dizer depois que vi aquele corpo, depois que vi aquele homem nu se banhando no lago. Perdi o senso, fiquei tão louca que me despi de todos os pudores a começar pelo lenço que cobria meus longos cabelos dourados, os quais somente eu e Deus poderíamos ver.

          Um tremor tomou conta de mim. Eu não controlava mais nada, algo maligno se apossou do meu ser, ou algo muito bom, não sei dizer ao certo...

          Fui tirando toda a roupa sem nexo e sem controle. Uma sensação de fogo assolava meu corpo e eu olhava aquele ser, que parecia um santo, mas, que era também um homem cheio de músculos, e eu, uma virgem que tinha ofertado toda a minha inocência a Deus, estava me atirando no abismo profundo dos desejos sórdidos. Um calor louco invadiu-me o corpo. Fiquei alucinada enquanto ele nadava inocentemente, sem saber quanta malícia havia despertado em meu coração.

          Ah, como sou má, como sou profana! Eu nunca havia visto um homem nu tão lindo! Nem mesmo feio eu havia visto. Meu corpo queimava, latejava... Queria gritar... Nunca em minha vida eu tinha sentido tanto torpor. Eu desejava aquele anjo encantador como nunca havia desejado coisa alguma em minha curta existência.

          Num raro momento de lucidez, olhei atentamente as suas roupas e percebi que sua vestimenta era de um seminarista. Lembrei-me que a Madre Superiora havia dito que não muito longe dali, havia um Seminário de Padres Jesuítas. A loucura tomou conta de meu ser, totalmente...

          Dentro de mim, um grito abafado que somente eu ouvia, dizia:
_Tu és santo, e eu sou profana, eu não presto e mereço ir pra fogueia. Sou pecadora e você tão inocente, banhando-se, sem saber o que se passava dentro do meu corpo em chamas. Ah, meu santo, tu não sabes o que esta visão está me provocando.

          E quando acabei de tirar toda a roupa, ele se aproximou de mim ali, despida, louca, me tocando em todas as partes, gemendo como fêmea no cio. E então o chamei desesperada:

          _Venha! Possua-me. Ah, tu me fizeste pecadora. Agora me salva do desejo descontrolado. Possua-me, eu imploro! Livra-me desta tortura. Estou como uma cachoeira a jorrar desejos. 

          Ao mesmo tempo em que eu o via como um Anjo sedutor, eu blasfemava contra aquele ser que me despertou tantos sentimentos estranhos.

          Naquele instante tudo parou! Aquele que parecia um anjo encantador abaixou-se diante de mim, pegou minha mão e arrastou-me para dentro do lago. Como um leão faminto apossou-se de meu corpo e de minha alma. Entregamos-nos ao pecado e ao prazer carnal, como se não fossemos humanos.

          Após o ato consumado, incoerentemente eu o chamava de maldito:
_ Tu és culpado do meu desvirtuamento, dessa minha agonia. Tu me corrompeste, maldito! Queres desviar-me do caminho da santidade, tu só queres me destruir, Cavalheiro das Trevas! Eu deveria ser pura para sempre. Tu és um anjo do mau, tu és Lúcifer a me tentar, vieste para roubar-me a inocência! Veja minha pele, veja minha alma, eu nasci para a pureza angelical e intocável. Não devias ter me corrompido... Minha alma era dos anjos puros e perfeitos. Este era meu destino, eu seria inteiramente deles sem sofrer e viveria para sempre no êxtase da oração. 

          Padre, o senhor nem imagina como fui capaz de fazer coisas horríveis depois daquele instante, como agi com devassidão, sem moral, sem nada... Hoje, não suporto aquela lembrança de vê-lo nu e lindo como um raio de sol. Parecia que tinha uma aura, era quase um deus.

          Livrai-me, oh Deus, dessas lembranças que me perseguem durante tantos anos, daqueles olhos que penetram minha alma. Oh Deus, eu vacilei, agora não consigo esquecer aquele olhar que me desnudou a alma. É meu tormento diário.

          Nunca mais fui a mesma. Somente agora, depois de tanto tempo, tive coragem de confessar tudo que fiz e senti para aliviar minha alma.

          Terminei minha confissão, e como o coração esperançoso do perdão, eu perguntei ao Padre porque ele não dizia nada, e se eu estava perdoada, mas, ele continuava em silêncio me deixando ainda mais agoniada. Será que meu pecado não tinha perdão?... Foi então que num ímpeto me levantei e abri a porta do confessionário. Vi um rosto pálido e envelhecido com os olhos vidrados, como se tivesse visto um fantasma, um fantasma do passado...

          Foi então que percebi aqueles traços marcantes. Aquele Padre era exatamente o seminarista que me provocou todos aqueles terrores, os quais carreguei até hoje...
Fechei os olhos e desfaleci...


10/02/10

Raio de Lua
Enviado por Raio de Lua em 10/02/2010
Alterado em 02/07/2010
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