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RENASCIMENTO


Ele fechou os olhos e não viu mais nada. Seria sonho? Alucinação? Premonição? Ele não sabia do que se tratava.

Só sentiu uma euforia, da qual nunca tinha se permitido sentir e muito menos participar daquela grande brincadeira. Meninos e meninas cantando. Ele ria, e entrava na brincadeira sem medos, sem as censuras do seu consciente já adulto, que na maioria das vezes lhe cortava as sensações agradáveis que a ludicidade poderia proporcionar a qualquer mortal.

Via um monte de crianças correndo, brincando, escondendo chocolate, encontrando coelhinhos, e o “pior” é que ele era uma delas.

Logo após brincar de coelhos de Páscoa, ele foi levado sem seu próprio consentimento a uma noite de Natal. Viu-se colocando meias na janela para esperar o Papai Noel que desceria da chaminé para trazer-lhe os presentes que ele havia sonhado por toda a sua pequena existência.

E ele brincou, cantou, sorriu, sentiu alegria, deixou que sua criança interior se esbaldasse ao som de músicas angelicais, ao sabor da própria infantilidade.
Pensou que estava no paraíso, ou talvez voltando à infância, sem que ninguém o tivesse consultado, ou pedido sua permissão para introduzi-lo naquele mundo fantástico.

Viveu intensamente todas as emoções de brincar de amarelinha, do jogo de bolas de gude, jogou damas e brincou de recitar poesias. Fez-se de cantor e soltou a voz num microfone de banana improvisado. Viveu, sonhou e se entregou às fantasias da infância.

De repente, abriu os olhos e olhou em volta. Viu-se num quarto de hospital...
Uma enfermeira caridosamente segurava sua mão, já que não tinha amigos íntimos nem parentes que se importassem com ele. Ela o olhava com ar de compaixão...

Ele se deparou com a dura realidade. Estava ligado a vários aparelhos para mantê-lo vivo. Perguntou então à enfermeira o que havia lhe acontecido para que estivesse naquele estado.

Ela então lhe respondeu:
_ Meu caro senhor, algumas pessoas o encontraram caído na fila de um banco e chamaram a ambulância.
Foi constatado que o senhor teve um enfarto e o trouxeram para cá. O senhor levou vários choques para ser salvo da morte, pois seu coração estava totalmente inerte e não mais bombeava seu sangue para o corpo.

Ele retrucou que não se lembrava de nada, apenas de uma dor em algum lugar do corpo, e que sua mente ardia em ebulição constante.

Aos poucos começou a se lembrar dos devaneios que tivera durante o estado de inconsciência e percebeu que o que estava em coma era sua criança interior a qual ele não permitia que se manifestasse há vários anos e que nem se lembrava mais que ela existia.

Após recordar de todos os acontecimentos que seu inconsciente sabiamente lhe revelara em forma de símbolos, ele descobriu o motivo pelo qual estava naquela situação.

Desde muito cedo, foi estimulado a abandonar sua criança interior para ser um “verdadeiro” homem.
_“Homem não chora, não brinca, não sorri, não pode se dar ao luxo de devanear...” e mais algumas ordens que recebera sublinarmente a respeito do que é ser um homem.

Diante de tais fatos, reconheceu o quanto ele havia se maltratado e se anulado proibindo-se de se divertir, de ser feliz e confraternizar com os outros, sem que seu senso crítico cortasse pela raiz os desejos de se soltar e levar a vida com mais leveza e tolerância, sem se apegar tanto às regras que não lhe serviam para quase nada, a não ser para matar-lhe a criança que ele carregava dentro de si e viver como todos os outros seres humanos.

Prometeu solenemente tendo a enfermeira como testemunha, que daquele momento em diante não mais aprisionaria sua criança interior. Deixaria que ela se manifestasse livremente e lhe mostrasse o caminho da alegria.

Imediatamente após se comprometer com total sinceridade libertar sua alegria e infantilidade, os aparelhos mostraram uma melhora instantânea e inexplicável.

Ele estava voltando a viver. Viver com a alegria de libertar-se das amarras estúpidas, das regras imbecis que a sociedade lhe impusera. Regras que ele acatara sem questionar, mas que agora não tinham mais sentido.

E ele saiu cantando do hospital de encontro a uma vida nova, onde a alegria seria sua futura e eterna musa.

 

Autora: Glória Cunha Matutina

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Raio de Lua
Enviado por Raio de Lua em 05/04/2009
Alterado em 27/07/2014
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