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05/11/2013 11h36
POESIAS DE AMOR de Vinícius de Moraes

Soneto de Fidelidade

Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento


Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

 

Soneto do amor total

Amo-te tanto, meu amor... não cante 
O humano coração com mais verdade... 
Amo-te como amigo e como amante 
Numa sempre diversa realidade 

Amo-te afim, de um calmo amor prestante, 
E te amo além, presente na saudade. 
Amo-te, enfim, com grande liberdade 
Dentro da eternidade e a cada instante. 

Amo-te como um bicho, simplesmente, 
De um amor sem mistério e sem virtude 
Com um desejo maciço e permanente. 

E de te amar assim muito e amiúde, 
É que um dia em teu corpo de repente 
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

 

A ausente

Amiga, infinitamente amiga 
Em algum lugar teu coração bate por mim 
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus. 
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios 
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas 
Como que cega ao meu encontro... 
Amiga, última doçura 
A tranqüilidade suavizou a minha pele 
E os meus cabelos. Só meu ventre 
Te espera, cheio de raízes e de sombras. 
Vem, amiga 
Minha nudez é absoluta 
Meus olhos são espelhos para o teu desejo 
E meu peito é tábua de suplícios 
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes 
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim 
Como no mar, vem nadar em mim como no mar 
Vem te afogar em mim, amiga minha 
Em mim como no mar...

Vinícius de Moraes

Poemas para todas as mulheres

Vinicius de Moraes


No teu branco seio eu choro.
Minhas lágrimas descem pelo teu ventre
E se embebedam do perfume do teu sexo.
Mulher, que máquina és, que só me tens desesperado
Confuso, criança para te conter!
Oh, não feches os teus braços sobre a minha tristeza não!
Ah, não abandones a tua boca à minha inocência, não!
Homem sou belo
Macho sou forte, poeta sou altíssimo
E só a pureza me ama e ela é em mim uma cidade 
e tem mil e uma portas.

Ai! teus cabelos recendem à flor da murta
Melhor seria morrer ou ver-te morta
E nunca, nunca poder te tocar!
Mas, fauno, sinto o vento do mar roçar-me os braços
Anjo, sinto o calor do vento nas espumas
Passarinho, sinto o ninho nos teus pêlos...
Correi, correi, ó lágrimas saudosas
Afogai-me, tirai-me deste tempo
Levai-me para o campo das estrelas
Entregai-me depressa à lua cheia
Dai-me o poder vagaroso do soneto, 
dai-me a iluminação das odes, dai-me o [cântico dos cânticos

Que eu não posso mais, ai!
Que esta mulher me devora!
Que eu quero fugir, quero a minha mãezinha quero o colo de Nossa Senhora!

Soneto a Quatro Mãos

Paulo Mendes Campos
e Vinícius de Moraes

 

 Tudo de amor que existe em mim foi dado. 

Tudo que fala em mim de amor foi dito.

Do nada em mim o amor fez o infinito

Que por muito tornou-me escravizado.

 

Tão pródigo de amor fiquei coitado

Tão fácil para amar fiquei proscrito.

Cada voto que fiz ergueu-se em grito

Contra o meu próprio dar demasiado.

 

Tenho dado de amor mais que coubesse 

Nesse meu pobre coração humano 

Desse eterno amor meu antes não desse. 

 

Pois se por tanto dar me fiz engano 

Melhor fora que desse e recebesse 

Para viver da vida o amor sem dano.

Ternura

Vinicius de Moraes


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar 
                                                                     [ extático da aurora.

 

Soneto de Contrição

Vinicius de Moraes

Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.
 
Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.
 
Não é maior o coração alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma...

E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida. 

 

Soneto de aniversário

Vinicius de Moraes 

 

Passem-se dias, horas, meses, anos 

Amadureçam as ilusões da vida 

Prossiga ela sempre dividida 

Entre compensações e desenganos. 

 

Faça-se a carne mais envilecida 

Diminuam os bens, cresçam os danos 

Vença o ideal de andar caminhos planos 

Melhor que levar tudo de vencida. 

 

Queira-se antes ventura que aventura 

À medida que a têmpora embranquece 

E fica tenra a fibra que era dura. 

 

E eu te direi: amiga minha, esquece... 

Que grande é este amor meu de criatura 

Que vê envelhecer e não envelhece. 

Poema de Natal

Vinicius de Moraes 

 

Para isso fomos feitos: 

Para lembrar e ser lembrados 

Para chorar e fazer chorar 

Para enterrar os nossos mortos

— Por isso temos braços longos para os adeuses 

Mãos para colher o que foi dado 

Dedos para cavar a terra. 

Assim será nossa vida: 

Uma tarde sempre a esquecer 

Uma estrela a se apagar na treva 

Um caminho entre dois túmulos

— Por isso precisamos velar 

Falar baixo, pisar leve, ver 

A noite dormir em silêncio. 

Não há muito o que dizer: 

Uma canção sobre um berço 

Um verso, talvez de amor 

Uma prece por quem se vai

— Mas que essa hora não esqueça 

E por ela os nossos corações 

Se deixem, graves e simples. 

Pois para isso fomos feitos: 

Para a esperança no milagre 

Para a participação da poesia 

Para ver a face da morte

— De repente nunca mais esperaremos... 

Hoje a noite é jovem; da morte, apenas 

Nascemos, imensamente.

POESIAS DE AMOR

www.versosdeamor.prosaeverso.net

 


Publicado por Raio de Lua em 05/11/2013 às 11h36
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (www.versosdeamor.prosaeverso.net). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
05/11/2013 03h03
SÓ EXISTE UMA RAÇA

Só existe uma raça, e ela surgiu na África


 


Publicado por Raio de Lua em 05/11/2013 às 03h03
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30/10/2013 22h14
PINTURAS DE GIA REVAZI
 

Pinturas do artista georgiano, 

residente em Tbilisi, Gia Revazi.

 

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http://www.liveinternet.ru/

 

 

 

 

 

 


Publicado por Raio de Lua em 30/10/2013 às 22h14
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
19/10/2013 09h05
LER MANTÉM A MENTE ATIVA

 

LER BONS LIVROS:
MELHOR FORMA PARA MANTER A MENTE ATIVA

:

Se você for um leitor voraz, sua mente não será a única beneficiária. Os efeitos positivos do hábito da leitura provavelmente recairão também sobre os seus amigos e seus familiares. Ler, particularmente livros de narrativa, pode melhorar nossa capacidade empática, como demonstra recente estudo norte-americano

 


Por: Equipe Oásis

A habilidade de se conectar com as emoções dos outros, intuindo as suas convicções e antecipando os seus desejos, é conhecida como importante teoria da mente. Alguns pesquisadores da New School for Social Research em Nova York quiseram verificar se a experiência de leitura de situações literárias desenvolvidas em romances com personagens complexos e de personalidade multifacetada efetivamente melhora a nossa capacidade de entrar na pele do próximo.

Os cientistas recrutaram três grupos de voluntários que se dedicaram a três tarefas diversas: o primeiro grupo teve de ler textos narrativos de alta qualidade, todos eles agraciados com o prestigioso prêmio literário norte-americano National Book Award; o segundo teve de ler trechos de bestsellers vendidos online (histórias com personagens bastante "rasos" inseridos em situações de sabor popular e mundano); ao terceiro grupo nada foi dado para ler.

A todos, depois, foi solicitado identificar as emoções escondidas atrás de algumas expressões faciais: um teste de empatia no qual os que tinham lido romances mais "empenhados" obtiveram claramente os melhores resultados.

Os livros são necessários

O estudo dos resultados estimulantes deixou, no entanto, algumas dúvidas em suspenso: quais são, por exemplo, as situações contidas no fio narrativo que fazem – realmente – a diferença? Pode ser, perguntam alguns pesquisadores, que se trate simplesmenteforma para manter a mente ativa do maior esforço cognitivo empregado para enfrentar uma leitura "culta" o fator que incrementa também as capacidades relacionais.

A pesquisa, de qualquer modo, ressalta a importância de se viver no seio de uma comunidade que promova a leitura. Ler, sem dúvida, melhora as capacidades empáticas da pessoa.

Os "ratos de biblioteca" permanecem jovens

Outra importante pesquisa, também norte-americana, soma-se à que foi comentada acima e demonstra que a leitura e a escritura mantêm à distância o espectro da deterioração cognitiva.

Confirma-se pela enésima vez que a natureza não perdoa: no mundo natural, que é o mundo em que vivemos, tudo aquilo que não é usado apodrece ou se deteriora. No plano humano, essa verdade vale para todos os níveis da nossa existência: físico, sexual, emocional, mental, etc.

Se para evitar a deterioração do corpo físico existem as longas caminhadas, as piscinas, a ioga e a ginástica, para manter o cérebro em ação e bem treinado nada é melhor do que a prática diária da leitura e da escritura. O hábito de desafiar o cérebro com atividades estimulantes afasta e retarda o surgimento dos processos de declínio cognitivo. Isto é o que revela um amplo estudo norte-americano publicado na revista Neurology. Esses resultados confirmam aquilo que o senso comum já conhece há muito tempo.

Pensamento e memória

O estudo foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores do Rush University Medical Center de Chicago. Esses neurocientistas monitoraram, através de uma bateria de testes, as atividades de pensamento e memória de 294 indivíduos de idade avançada. Os voluntários, que foram seguidos durante cerca de 6 anos, tiveram de responder um questionário a respeito dos seus hábitos de leitura e de escritura durante a juventude, a idade adulta e a velhice.

Depois da morte dos voluntários, acontecida a uma idade média de 89 anos, os cientistas examinaram através de uma autopsia os seus cérebros para identificar sinais fisiológicos de demência, como lesões, placas e aglomerados neurofibrilares (depósitos proteicos que se acumulam sobre as fibras nervosas). Tais anomalias são muito comuns em pessoas de idade avançada e podem causar importantes déficits de memória e de cognição.

Nos pacientes que sofrem de Mal de Alzheimer essas placas, devido a uma proteína chamada betamiloide, se depositam progressivamente sobre os neurônios tornando-os incapazes de transmitir impulsos. Alguns pesquisadores creem que esse mesmo processo pode ser uma das causas prováveis de doenças escleróticas e autoimunes como a esclerose múltipla.

 

Diferenças impressionantes

Os pacientes acostumados às atividades intelectivas mostraram uma taxa de declínio cognitivo 15% mais lenta em relação a quem cultivou menos os hábitos de ler e escrever.

Em particular, ficou evidente que manter um alto ritmo de leitura até mesmo em idades avançadas reduz o declínio da memória de 32% em relação à norma. Quem, ao contrário, abandona (ou quase abandona) o hábito de ler e escrever com o passar dos anos, corre o risco de uma piora da memória 48% mais rápida do que os que se mantêm ativos e em treinamento. Os dados foram ajustados também com base nas diversas quantidades de placas e aglomerados encontrados durante as autopsias. Em outras palavras, ao lado dos fatores físicos que causam demência senil, calculou-se também o peso da atividade cognitiva na prevenção e deterioração das faculdades cerebrais.

"A pesquisa confirma que tudo aquilo que, instintivamente, os muitos familiares proporcionam a seus doentes de Alzheimer funciona realmente para impedir ou retardar o avanço da doença", comenta a médica Patrizia Spadin, presidente da Associação Italiana para a Doença de Alzheimer. "Claro – continua Patrizia Spadin – a atividade 'formal' de reabilitação cognitiva conduz a resultados mensuráveis e comprovados. Mas também encontrar-se com amigos, dar um passeio, viajar, praticar um esporte, ler um bom livro, fazer palavras cruzadas e comer de modo sadio, além de influenciar positivamente o estado de humor, beneficia as células cerebrais e, portanto, a mente. Para quem se sente impotente em face de uma doença tão devastadora como a demência, é fundamental saber que essas armas existem, funcionam e devem ser usadas na batalha contra a deterioração cognitiva.

 

 


Publicado por Raio de Lua em 19/10/2013 às 09h05
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/117846/Ler-bons-livros-Melhor-forma-para-manter-a-mente-ativa.htm). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
08/10/2013 03h18
CIENTISTA BRASILEIRO CRIA "SEXTO SENTIDO" EM RATOS

Neurociência

Equipe de Nicolelis cria "sexto sentido" em ratos

Por meio de implantes no cérebro, animais passaram a ser capazes de sentir a luz infravermelha, habilidade inédita em mamíferos

 

Guilherme Rosa

Miguel Nicolelis, Neurocientista

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis: para ele, a pesquisa demonstra, pela primeira vez, o potencial de expandir o alcance perceptivo de uma espécie. "Fizemos com que o cérebro passasse a responder a grandezas físicas que o corpo biológico não é capaz de processar" (Manoel Marques)

Pela primeira vez na história, um mamífero ganhou um sexto sentido artificial, a capacidade de "enxergar" a luz infravermelha, para se somar aos outros cinco dados pela natureza - audição, olfato, paladar, tato e visão. A proeza foi realizada pela equipe do brasileiro Miguel Nicolelis no Centro de Neuroengenharia da Universidade Duke, em Durham, na Carolina do Norte (Estados Unidos), e foi publicada nesta terça-feira na revista Nature Communications.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Perceiving invisible light through a somatosensory cortical prosthesis

Onde foi divulgada: revista Nature Communications

Quem fez: Eric E. Thomson, Rafael Carra e Miguel Nicolelis

Instituição: Universidade Duke, EUA

Dados de amostragem: Seis ratos, que tiveram microletrodos implantados em seus cérebros. Aos implantes foram conectados detectores de luz infravemelha

Resultado: Depois de cerca de um mês, os ratos já estavam adaptados ao dispositivo. Eles eram capazes de sentir a luz infravermelha,  e usavam o novo sentido para se guiar até uma fonte de água

Nenhum mamífero consegue enxergar a luz infravermelha — seus olhos são incapazes de captar ondas de luz com comprimento de onda tão grande. Algumas cobras são capazes de detectar a radiação infravermelha por meio de um órgão localizado entre suas narinas e olhos, chamado fosseta loreal. A visão infravermelha também foi descoberta entre alguns insetos, como os besouros. Para dar aos ratos essa nova habilidade, a equipe de Nicolelis instalou um detector de luz infravermelha na cabeça do animal, e ligou o aparelho a um eletrodo implantado no cérebro do rato.

Assim, a equipe foi além de todas as pesquisas anteriores, que se baseavam no uso de implantes cerebrais apenas para restaurar funções corporais perdidas, como controlar braços e pernas mecânicos. Nesta pesquisa, pela primeira vez, eles conseguiram aumentar a percepção natural de um animal. "Este é o primeiro trabalho em que um dispositivo neuroprotético foi usado para aumentar uma função, literalmente permitindo que um animal normal adquirisse um sexto sentido”, diz Eric Thomson, principal autor do estudo. 

Embora o experimento tenha testado apenas se ratos podiam detectar luz infravermelha, os pesquisadores dizem que o mesmo método poderá ser usado no futuro para dar aos animais — ou seres humanos — a capacidade de ver em qualquer região do espectro eletromagnético. "Poderíamos criar dispositivos sensíveis a qualquer energia física. Poderiam ser campos magnéticos, ondas de rádio ou ultrassom. Escolhemos infravermelho inicialmente porque ele não interfere com os nossos registros eletrofisiológicos", diz Miguel Nicolelis.

 

No fio do bigode — Os pesquisadores usaram seis ratos em seus experimentos. Inicialmente, eles foram colocados dentro de uma câmara circular, que continha três pequenos compartimentos com luzes que se acendiam em ordem aleatória. Quando piscavam, as luzes indicavam onde o animal poderia encontrar uma fonte de água e matar sua sede. No começo, foram usadas luzes visíveis — até que os ratos estivessem habituados ao método. 

Terminado o treinamento dos animais, os pesquisadores implantaram microeletrodos em seus cérebros, capazes tanto de registrar a atividade elétrica dos neurônios quanto de estimular o tecido com pequenas correntes. Cada um desses microeletrodos media cerca de um décimo do diâmetro de um fio de cabelo. Os dispositivos foram implantados em uma região cerebral conhecida como córtex somestésico, responsável por processar as informações tácteis geradas pelos bigodes dos roedores. 

Os pesquisadores também instalaram um detector infravermelho na cabeça de cada animal e o conectaram ao microeletrodo em seu cérebro. O sistema foi programado para que, cada vez que o detector identificasse uma fonte de luz infravermelha, o dispositivo gerasse pulsos elétricos no córtex somestésico dos ratos. A frequência dos pulsos aumentava conforme o animal se aproximasse da fonte de luz infravermelha. 

Os ratos foram devolvidos à câmara de teste, e os cientistas substituíram gradualmente as luzes usadas. No início, quando a luz infravermelha era ligada, os animais começavam a procurar aleatoriamente os locais de recompensa e passavam a acariciar os próprios rostos, como se estivessem recebendo um estímulo táctil prazeroso. Segundo os pesquisadores, isso acontecia porque eles interpretavam os sinais elétricos como se fossem provenientes dos seus bigodes. 

No entanto, com o passar do tempo, os seis animais aprenderam a associar o sinal de cérebro com a luz infravermelha. Depois de cerca de um mês, eles já estavam procurando ativamente o sinal infravermelho, atingindo uma pontuação quase perfeita na identificação da fonte de luz correta. Eles haviam se acostumado ao novo sentido, e já o usavam para se guiar pelo mundo.


Plasticidade cerebral — Segundo os cientistas, o experimento demonstrou, pela primeira vez, que uma nova fonte de informação sensorial pode ser processada em uma região cerebral especializada em outro sentido. E, mais importante, sem afetar a função original desta área do cérebro. "Quando gravamos sinais do córtex somestésico desses animais, descobrimos que, embora as células tivessem começado a responder à luz infravermelha, elas continuavam a reagir à estimulação táctil dos bigodes. Era quase como se o córtex estivesse se dividido uniformemente, de modo que os neurônios pudessem processar ambos os tipos de informações”, diz Nicolelis. 

Os pesquisadores batizaram de plasticidade cerebral essa capacidade que certas regiões do cérebro têm de assumir funções nas quais elas não são originalmente especializadas. Essa ideia vai contra uma visão mais clássica do funcionamento do órgão — chamada de optogenética — que defende que um tipo específico de célula neuronal deve ser estimulado para gerar a função neurológica desejada. Em vez disso, a experiência demonstra que a estimulação elétrica ampla, que recruta tipos diferentes de células, pode levar uma região cortical a se adaptar à nova fonte de estímulos sensoriais. "No futuro isso pode ajudar pacientes que perderam a visão por causa de uma lesão no córtex visual. Até hoje, não havia o que fazer com relação a isso. Com nossa descoberta, mostramos que podemos usar o córtex táctil para devolver graus de visão para esses pacientes. E isso é só o começo", afirmou Nicolelis em entrevista ao site de VEJA. 

Além do exoesqueleto — A pesquisa faz parte de um grande projeto do laboratório de Miguel Nicolelis chamado Walk Again (Andar de Novo). A ideia do cientista é usar os microimplantes cerebrais para controlar de modo mais preciso próteses mecânicas. A equipe trabalha no desenvolvimento do primeiro exoesqueleto de corpo inteiro, destinado a restaurar a mobilidade em pacientes paralisados. A primeira demonstração desta tecnologia está prevista para acontecer no jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014.

A última conquista da equipe foi conseguir gravar os sinais de quase 2.000 células cerebrais ao mesmo tempo, um número inédito. No futuro, os pesquisadores esperam registrar a atividade elétrica produzida simultaneamente por 10.000 neurônios corticais, necessária para o funcionamento pleno do equipamento. 

A atual pesquisa que conferiu aos ratos a habilidade de perceber luz infravermelha também é importante para o projeto, pois permitirá um novo tipo de comunicação entre o paciente e o exoesqueleto. Atualmente, os pesquisadores tentam fazer com que o eletrodo no cérebro dos pacientes transmita respostas tácteis para permitir que ele sinta os movimentos feitos pelas vestes robóticas. Mas, a partir da nova experiência, a resposta do equipamento também poderá se dar na forma de um sinal de rádio ou luz infravermelha, que daria mais velocidade à comunicação. 

Os cientistas salientam, no entanto, que as pesquisa representa mais do que apenas um simples passo na construção do exoesqueleto. Ela demonstra, pela primeira vez, o potencial de expandir o alcance perceptivo de uma espécie. "Fizemos com que o cérebro passasse a responder a grandezas físicas que o corpo biológico não é capaz de processar", afirma Nicolelis. As possibilidades abertas pelo experimento são enormes e, no limite, representam a quebra dos limites impostos ao corpo humano. "No futuro, poderemos criar próteses para fazer com que pessoas experimentem novas sensações - sensações que não nascemos equipados para perceber." 

 

Gilberto TaddayNicolelis

 

“Essa é a primeira demonstração de uma interface cérebro-máquina que realmente aumenta a capacidade perceptual de um mamífero”

Miguel Nicolelis
Chefe do laboratório de neuroengenharia da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e diretor científico do Instituto Internacional de Neurociências de Natal

 


Em sua pesquisa, os ratos realmente adquiriram um novo sentido? Foi exatamente isso que aconteceu. Por meio da prótese, os ratos passaram a poder perceber a luz infravermelha, que é invisível para os mamíferos. Eles começaram a perceber a luz como um estímulo tátil, de modo diferente do qual captam a luz normalmente. Em todos os efeitos, trata-se de um novo sentido.

Como os ratos interpretavam o sinal de luz infravermelha? Não sabemos – os ratos não são capazes de nos relatar sua experiência. Mas estamos reproduzindo o estudo em macacos, e um deles já aprendeu a sentir a luz de modo semelhante aos ratos. Tudo leva a crer que eles interpretam o sinal como um estímulo táctil: uma nova modalidade em que os animais percebem pelo tato a presença de luz que ele não consegue enxergar pelos olhos.

Como os ratos reagiram ao novo estímulo? Eles começaram a desenvolver uma nova estratégia comportamental. O animal começou a mover a cabeça em movimentos laterais, como se fosse um morcego. Assim, ele procurava a fonte de luz, e conseguia encontrar a recompensa. Seus movimentos lembravam o de um radar, em busca da luz. 

E qual era seu comportamento quando o dispositivo era desligado? Depois de algumas semanas, o animal passa a querer usar essa nova capacidade. Quando desligamos o dispositivo, eles ficam aflitos, porque se acostumam com a possibilidade de encontrar as fontes de luz infravermelha. Quando ligamos o aparelho, dá para perceber que eles ficam mais tranquilos. O novo sentido passou a fazer parte da rotina dele.

O que essa pesquisa representa? Até agora, se pensava que o córtex táctil só era capaz de processar as sensações táteis que conhecemos. Nós ultrapassamos um limite que se pensava impossível, uma barreira que era quase dogmática. Em teoria o trabalho mostra que qualquer outro sinal físico que não percebemos normalmente - como raios-x, ondas de radio, ondas eletromagnéticas – podem ser percebidos pelo cérebro. Essa é a primeira demonstração de uma interface cérebro-máquina que realmente aumenta a capacidade perceptual de um mamífero. Todas as demonstrações até hoje apenas restauravam funções corporais perdidas. Dessa vez, nós demos uma nova função ao animal.

Como esse estudo poderá ser usado no desenvolvimento do Projeto Walk Again? Ela abre uma nova porta para o exoesqueleto se comunicar com o cérebro dos pacientes. Podemos usar luz para isso, que é transmitida muito mais rapidamente do que qualquer outro sinal.

Como está o cronograma do projeto? O senhor acredita que o exoesqueleto estará pronto para a Copa de 2014? As pesquisas estão dentro do ritmo planejado. É um projeto extremamente desafiador, mas estamos dentro da agenda. Temos quatro trabalhos muito importantes prestes a serem publicados. Não posso entrar em detalhes, mas adianto que uma das interfaces é ainda mais inesperada que a da pesquisa atual, uma tecnologia que não foi sequer cogitada.

 

 

 


Publicado por Raio de Lua em 08/10/2013 às 03h18
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